Final de estação

⊆ 05:44:00 by Aline Gallina | ˜ 4 ponto e vírgulas »

É final de estação.

As árvores e o céu não são os mesmos:


Pairam intenções com intervalos preto e branco

Vagas como a saturação de escolhas

E o vácuo do tudo ou nada.


A menina arranca fio a fio os excessos do quintal.


Mãe e boneca comentam o vento,

Que carrega os cabelos loiros

Junto às folhas que varrem o caminho.


Jorram mato e menina para todos os cantos,

Enquanto as roupas do varal regam o canteirinho

De flores amarelas e lilás.


O cheiro é de inexplicação ou falta de controle

Tanto mãe, menina e boneca

Suplicam por tempo, longe de seus destinos.


Hora de girar o corpo para a direita:

Sempre neste sentido

Que segue rumo à varanda


Para que possa -

Ao lembrar da necessidade -

Reconhecer o próximo passo.


O esconderijo fica ali adiante,

Pertinho da lareira,

Onde não é preciso contorcionismos.


Espalharam-se meninas e bonecas pelo chão

Entre sombra e bobagens puras e doces

De poucos anos de vida.


Mamãe, mamãe! Não deixe que ela fique verde

Entupida de prontidão e afazeres

Diante da falta daquilo que não a quer.


Irá ganhar do diabo que está há poucos minutos.

Chama de fogo vira gelo perto do verdume:

O anti-horário está por vir.


Achado repentino

⊆ 17:44:00 by Aline Gallina | ˜ 2 ponto e vírgulas »

A cabeça pesa pela testa

e ouço um sussurro interno

de vida que existe em mim.

É um ato atmosférico –

seja lá o que quer dizer – ,

mas é um ato esférico,

longitudinal e repulsivo

de tanta rapidez e desconsolo

por ser um indivíduo,

que ouve sozinho

o som da televisão

e do ventilador de teto

quase despercebidos

por conta do meu coração

que: veja só! palpita fortemente

posso ver de fora,

ouvir de dentro

perco o fôlego

por ainda saber que existo

e resido em mim.


Você

⊆ 17:43:00 by Aline Gallina | ˜ 0 ponto e vírgulas »

Seus olhos azuis

são água limpa,

cristalina.

Sua pele branquinha,

translúcida,

é papel virgem.

Delicadeza

que fede a pus.


Nada fiz pra ti, necessariamente

⊆ 17:32:00 by Aline Gallina | ˜ 0 ponto e vírgulas »

Não fiz um conto, nem uma arte.

Nada de riscos em parte alguma.

Não me julguem por isso,

pelo mau uso do tempo,

pois há dias que eu faço

nada que eu possa te dar

ou mostrar

em curto prazo.